12 de abril de 2009


03/04/2009
Sussurros pop de inverno

A estreia do projeto Dois em Um é um álbum caseiro. Mas será equivocado esperar de Luisão Pereira e Fernanda Monteiro um ruidoso, desajeitado registro de garagem. O conforto do lar, para a dupla, traz intimismo e delicadeza. Como uma Nara Leão transtornada pela atmosfera rarefeita do trip hop, a vocalista sussurra frágeis canções de amor. “Se já não há saída, ainda tenho o céu”, canta em Deixa, na brisa de um tango eletrônico. Compositor, guitarrista e faz-tudo, Luisão reveste as melodias com camadas sutis de psicodelia e indie rock, num esforço minimalista que lembra a estreia do Goldfrapp, Felt mountain (2000), e trilhas de cinema. O bom humor de Carbono (“Ele é seu ex, como você se parecia com ele daquela vez”) e o samba geneticamente modificado de Quem era eu? dão fluência de um álbum de minúsculos detalhes, cujos segredos devem ser desvendados lentamente — de preferência numa manhã de inverno. (Tiago Faria)

Rodrigo Lariú fala sobre selo midsummer madness

Pedro Brandt
Correio Braziliense
Em entrevista por e-mail ao Correio, Rodrigo Lariú comenta os 20 anos de seu selo, o midsummer madness, um dos patrimônios do rock independente no Brasil.


Quais você considera os cinco mais importantes (e por quê)? Comente um pouco deles, por favor…
Difícil eu dizer quais os mais importantes, gosto de todos eles, mas vamos lá:

mm03 – The Cigarettes – Felicia: 2ª demo também, lançada em 1994 e junto com a do brincando de deus foi uma das cassetes que mais vendeu no midsummer madness, mais ou menos 500 cópias cada título.

mm07 – Primitive Painters: era uma demo estranha, com três músicas no lado A, sendo que uma das músicas tinha quase 15 minutos. Foi a fita que vendeu menos junto com as demos do Aerowillys, mas curiosamente foi esta fita do Primitive Painters a que teve mais resposta. Das sete fitas que vendi, cinco pessoas que as compraram me escreveram de volta dizendo como a banda era boa. Isso meio que criou um padrão de qualidade no selo — qualidade em vez de quantidade (de vendas).

mm27 – Second Come – Old shoes: além de ser uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos, esta fita iniciou um projeto que permanece até hoje no mmrecords: o resgate e a catalogação de "clássicos" do rock underground brasileiro dos anos 1990 pra frente. Esta Old shoes saiu em cassete e compila as três demos que a banda lançou antes do primeiro CD. Em breve vou disponibilizá-la no site.

mmcd03 – The Gilbertos – Eurosambas 1992 1998: primeiro disco do projeto solo do Thomas Pappon, ex-Fellini. Este disco é o elo perdido entre o rock underground paulistano/ brasileiro dos anos 1880 (Fellini, Ira!, Smack) e o que se fez depois disso, com Chico Science, Mundo Livre. É bem vendido até hoje, tem músicas clássicas.

mmcd05 – Astromato – Melodias de uma estrela falsa: foi lançado em 1999 e há pouco tempo atrás foi listado pelo Senhor F como um dos melhores discos brasileiros da década de 1990. Era um Jesus & Mary Chain cantado em português, acho que deram um passo adiante no indie rock brasileiro, cantando na nossa língua.

mmcd08 – Fellini – Amanhã é tarde: trazer o Fellini de volta, e agora ter o Smack, é um honra pro cast do midsummer madness. Prova que a gente está preocupado com passado/ presente/ futuro do rock bom feito por aqui.

mmcd10 – Telescopes – Premonitions 1989-91: outra banda predileta. Quando consegui contactar o Stephen Larwrie em 1999 e ele aceitou lançar uma coletânea exclusiva pelo mmrecords, fui às alturas. Isso, pra mim, é tipo você ter os Beatles no teu selo. Passei várias noites escrevendo o zine nos anos 1990 ouvindo Telescopes, e poder lançar um CD deles foi a glória. Não vendeu muito mas é uma coletânea subestimada.

mmcd23 – Dois em Um: eu simplesmente fiquei apaixonado pelas músicas, pelas letras. Luisão e Fernanda conseguiram criar 11 clássicos neste CD.


Poderia comentar os lançamentos mais recentes do selo (Smack, Dois em Um e Luísa Mandou um Beijo…)?
Smack é uma honra. Já tínhamos o Fellini e o The Gilbertos, daí vem o Smack... SP anos 1980 é nossa, não tem pra ninguém. E são cinco músicas fodas, com a formação original, que inclui Scandurra, Pappon, Sandra e Pamps, é tipo histórico! A gente conseguiu lançar porque o Thomas Pappon, que já é do selo, fez o link. Mas nunca imaginei ter o Scandurra lançando pelo mm...

Dois em Um, eu já falei ali em cima: Luisão é gênio, compositor de mão cheia. Toda vez que escuto o disco eu me arrepio em algumas músicas. "Eu sempre avisei" é tão direta, tão soco na cara que ninguém nunca fará nada melhor, nem Chico Buarque poderá um dia criar um verso "eu sempre avisei / que um dia poderia acontecer/ de você olhar pra nós/e não mais me ver". E tem ainda uma coisa Burt Bacharach em Dias e meio shoegazer/ guitar em Mais uma vez que eu adoro.

Matéria na integra em: http://www.correiobraziliense.com.br/divirtase/

2 comentários:

_maryjanne disse...

belissimo trabalho , parabens e muito sucesso!

fernanda disse...

obrigada maryjanne!